quarta-feira, 11 de maio de 2011

O caçador de androides

Imagine que uma catastrófica guerra nuclear tenha praticamente destruído o Planeta Terra, reduzindo as formas de vida a alguns seres humanos: uns com graves sequelas mentais, fruto da forte radioatividade; outros com boa sanidade mental e por serem abastados resolvem habitam Marte; e alguns que resolveram fazer da caça sua principal atividade. Animais em geral eram escassos e animais elétricos eram construídos.
Pois bem, vale a pena ressaltar que a alta tecnologia da época permitiu a criação de seres semelhantes a humanos (androides) e que esses eram escravos de pessoas ricas.
Porém, alguns deles se revoltaram e resolveram "tocar o terror" na Terra e caberia a alguns humanos (ou não) "tomar conta" deles.
Rick Deckard é um caçador de androides que nessa história é incubido de caçar seis androides infiltrados em meio aos humanos.
Em certas partes da trama, o caçador passa por momentos de crise emocional e pensa, inclusive, em poupar a vida de alguns androides, principalmente, uma do sexo feminino.
Mas, passa  logo, e no final, ele aniquila todos os seis...
O que me surpreendeu foi  o fato de que os androides se mostraram pouco inteligentes no que diz respeito em se organizar para atacar o caçador, o máximo que fazem é uma pequena armadilha para avisar que Rick estava chegando. E o pior, e decepcionante, para aqueles que gostam de ação, os androides mostram pouca resistência e são facilmente desligados...
No entanto, apreciei o contexto geral. Um bom livro no ramo de ficção científica, mas, que em alguns momentos, é bem previsível.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Maldição dos deuses do futebol

Eles devem estar observando calmamente o caminhar dos clubes brasileiros na Libertadores de 2011. Sentados em suas gigantescas poltronas acima das nuvens, os deuses do futebol, olham os gramados da América com uma certa incredulidade Talvez alguns deles, mesmo com secular experiência e vendo, ao passar dos tempos, resultados históricos (a final de 1950 é um bom exemplo) não apostaria que, em uma mesma noite (digna de ser apresentada em um filme de terror: Quarta-feira 4), quatro clubes brasileiros fossem eliminados da competição mais importante das Américas.
O forte guerreiro e, às vezes, agressivo, Deus da Raça deve estar se perguntando: como foi que o Fluminense, capaz de reverter situações improváveis com muita disposição, disse adeus em terras paraguaias?
O lendário Deus do Belo Futebol, raramente visto mundo afora, com exceção de uma certa cidade espanhola, deve estar coçando suas longas barbas e matutando sobre a despedida do Cruzeiro que praticava o mais belo futebol da competição.
O Deus dos Campeões, que sempre acompanha de perto aqueles que levantaram a taça pela última vez, está pensando em como explicar a eliminação do Colorado em pleno Beira-Rio.
O Deus do Tempo nem estava tão preocupado com o Grêmio, afinal, sua eliminação começou na semana anterior quando caiu em casa.
E a culpa nem foi dos argentinos (lendários carrascos de equipes brazucas em competições continentais), mas, afinal, de quem foi?
Sentados em uma nuvem distante e escura, estão os deuses maus: o Deus da Falta de Humildade, inspiração para aqueles que acham que vão passar fácil pelo adversário, o Deus do Mau Futebol, que volta e meia dá as caras no futebol brasileiro...
Observando com os olhos atentos, está o Deus da Esperança, que acompanha os torcedores até o último segundo e que guiará o Santos em seu duro caminho pela América.
Os deuses da Raça, do Belo Futebol, do Tempo a até o dos Campeões também estarão observando calmamente em suas confortáveis poltronas o desenrolar desse campeonato, mais um dentre tantos nesse mágico e imprevisível esporte chamado futebol.
Mas, cuidado, nuvens escuras vindas de outros países sulamericanos prometem azucrinar a Libertadores do Peixe.
Que os bons deuses estejam ao lado do Brasil, se não...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Cruzeiro que já foi Periquito e Tricolor

Qualquer torcedor, com destaque ao cruzeirense, que venha a ler o título dessa postagem deve estar pensando que o autor desse blog seja um louco de pedra, pois, é óbvio que o mascote do Cruzeiro é a Raposa e o time usa apenas duas cores, azul e branco, nada de Tricolor.

Porém, convido o prezado leitor, independente do clube que o mesmo torça, a viajar no tempo e aterrisar na longíqua década de 30, aqui mesmo no Brasil, na simpática capital mineira, onde havia alguns clubes de futebol, entre eles, o Palestra Itália.
Por ser de origem italiana, o clube utilizava uma camisa com as cores do país de onde veio a colônia fundadora do clube, a qual era bem significativa em Belo Horizonte na época da fundação do clube mineiro: verde, branco e vermelho. No entanto, ainda não era conhecido como Tricolor, apenas como Palestra Itália.
Àquela época, algumas mudanças ocorreram no uniforme da equipe: o verde escuro se tornou mais claro. A camisa, por volta de 1937, era mais ou menos assim: Tom verde-claro, gola branca e barras das mangas em vermelho.

camisa cruzeiro 1936-39

Por causa do tom de sua camisa, o clube era conhecido como Periquito.

1942

 No comecinho dos anos 40, o uniforme ficou bem diferente do anterior, o clube passou a usar listras horizontais em verde e vinho (pelo menos é o que parece na foto), ficando conhecido como Tricolor: verde, vinho e branco.

Mas, veio a II Guerra Mundial, a equipe teve que mudar de nome: jogou um jogo como Ypiranga e depois, em 1942, passou a se chamar Cruzeiro.

A inspiração veio do Cruzeiro do Sul, constelação marcante nos céus meridionais.

Fonte: Página sobre Uniformes do Cruzeiro

Lei de Murphy

Tem gente que fala que a Lei de Murphy não existe. Pois é, se dizem isso, já estão aplicando a famosa Lei: se você acha que alguma coisa não existe e por isso lhe é inofensiva, na verdade, ela existe e vai te causar o maior número de danos possível. Ou seja, se algo tem a infinitésima chance de dar errado, dará errado.


Algumas outras situações interessantes na qual há a aplicação da Lei:

"Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos." Principalmente o atalho do mineiro, pois sempre tudo é logo ali, sô.

"Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual." Se você sem ler o manual, estraga o equipamento, lendo-o, a tarefa é bem mais rápida. Se aplica a alguns livros também.

"Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada." E justamente na pior das horas. Se você sabe fazer uma questão de quatro maneiras, o professor te exigirá uma quinta, que, obviamente, você nem sabe do que se trata.

"Em qualquer fórmula, as constantes (especialmente as registradas nos manuais de engenharia) deverão ser consideradas variáveis." Nas provas, principalmente.

"Você sempre encontra aquilo que não está procurando." Porém, se você precisar dessa coisa amanhã, não encontrará.

"Assim que tiver esgotado todas as suas possibilidades e confessado seu fracasso, haverá uma solução simples e óbvia, claramente visível a qualquer outra pessoa." Acontece exatamente isso quando o professor explica a correção da prova.

"Seja qual for o defeito do seu computador, ele vai desaparecer na frente de um técnico, retornando assim que ele se retirar."  Exatamente e justamente quando você não tiver salvo um arquivo importante.

"Se ela está te dando mole, é feia. Se é bonita, está acompanhada. Se está sozinha, você está acompanhado." A vida é assim mesmo...

"Oitenta por cento do exame final que você prestará, será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu." Só? 

"Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer, senão estudar a matéria dele." E a dificuldade da prova é proporcional ao tempo que ele acha que você estudou...

"A luz no fim do túnel, é o trem vindo na sua direção." Com certeza.

"Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone." Aplicável a outras situações, mas não vou comentar porque esse é um blog de família.

"A fila do lado sempre anda mais rápido." Inclusive se você mudar de fila.

"Nada é tão ruim que não possa piorar."  Essa é clássica.

"Se você não está confuso, não está prestando atenção." Que o digam as aulas de Cálculo.

"Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado, e quando você não está." Ou seja, alguém sobra nessa história.

"Você só precisará de um documento quando, espontaneamente, ele se moverdo lugar que você o deixou para o lugar onde você não irá encontrá-lo." Isso quando não é você que sabiamente o troca de lugar a fim de deixá-lo mais fácil de ser encontrado.

(fonte: Luiz Ferraz Neto)

Os comentários foram feitos pelo autor do blog.  


 



 



 

terça-feira, 3 de maio de 2011

O correto é o meu certo

Quem nunca ouviu a velha máxima de que tudo depende de um referencial?
 Certamente, muitos se lembrarão das aulas de Cinemática, uma vez que para dizer se algo está em movimento, tem-se, primeiramente, que se observar o referencial. Simples, se dois carros (ou qualquer outra coisa que possa se mover, mas eu prefiro carros) estão a 200 quilômetros por hora, os dois estão parados. Não é ideia de maluco não, se tomarmos um dos veículos como referencial para o outro, a afirmativa estará corretíssima. Poderia ir bem mais longe e tratar da Teoria da Relatividade, porém, a Física não é o propósito desse texto.
Pois bem, o referencial não é aplicável apenas a coisas, mas também a conceitos fundamentais da sociedade, por exemplo, o bem e o mal.
Geralmente, reconhecemos como bom aquilo que vai de acordo com as nossas crenças e o perfil da sociedade na qual estamos inseridos e como mau, o que diverge dos preceitos moralmente aceitos pela mesma. Talvez pelo desejo de se firmar pessoalmente e de se inserirem com segurança na sociedade, as pessoas se unam a grupos de diversos tipos e com inúmeros ideais. Porém, o mais preocupante disso tudo é o fato de enxergar os outros grupos como ameaças e não aceitá-los.
Exemplos inundam os noticiários e o dia-a-dia: meu time é o certo e o seu é o errado, meu jeito de ser é certo e o seu errado, minha religião é certa e a sua errada, meu Deus (ou deuses) é o certo e o seu errado, meu país é o certo e o seu errado e por aí vai. Consequências dessas simples escolhas vão desde brigas de trânsito até guerras nucleares. Poderia escrever um denso artigo sobre cada uma delas e ainda teria assunto para um livro...
O outro passa a ser uma ameaça constante e a decisão mais primitiva e irracional de todas é tomada. Desde os tempos remotos, é de preocupação do homem, a defesa de seu território e propriedade, mas, também era interessante ao mesmo demonstrar seu poder por meio da dominação de outros territórios e, se necessário, o extermínio dos nativos. Logo, apenas se extremamente necessário, deve-se acabar com todo e qualquer tipo de mal, se o outro é mau e incomoda a minha sociedade...
O problema disso tudo reside no fato de que para o outro: todos somos outros e, por definição, somos maus, apesar de nos acharmos muito bons.
 Então, essa história nunca terá um fim, a não ser que saiamos de todo e qualquer tipo de sociedade e analisemos calmamente o conceito de bem e mal. Porém, não estou com vontade de descobrir que, dependendo do referencial, estou parado no meu preconceito junto com minha bondosa (ou não) sociedade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pegaram o chefão

Soldados espalhados por uma extensa área, exércitos comandados visando dizimar quaisquer inimigos que surjam, clima hostil, tanto fisicamente, regiões desérticas com pouquíssimos suprimentos, quanto psicologicamente, os nativos simplesmente odeiam suas tropas e tudo aquilo que lhes seja relativo.
As ações tem que ser feitas minuciosamente: gastar o mínimo de munição enquanto se avança pelo território inimigo, uma decisão errada e tudo vai pelos ares, literalmente.
A tensão aumenta consideralmente no prosseguimento da invasão, em certos momentos, uma calmaria aterroriza os soldados, pois, a qualquer momento pode aparecer um ser barbudo fortemente armado oriundo de uma gruta, à primeira vista, inofensiva. Sem contar as armadilhas espalhadas estrategicamente, prontas para atrapalhar a missão.
Porém, está mais do que claro, o propósito da missão, acabar de vez com um poderoso inimigo, isso, mascarado, obviamente, por uma política de defesa à sociedade local. O nível de adrenalina sobe junto com a dificuldade do processo, os guerrilheiros da região aparecem do nada atirando feito loucos, é melhor salvar o jogo e ir descansar, já está quase na hora de dormir.
Aliás, para que dormir? O predador sente o cheiro da presa e avança a passos largos, passando por cima de tudo e de todos, a madrugada avança, com os olhos fixos e injetados por um, a certo ponto, animalesco desejo de vingança, prossegue.
Tudo fica escuro, a energia está acabando, mas lá está ele: o chefão. Dormir ou não dormir? O poderoso ser se esquiva de mil e uma maneiras dos ataques, mas se vê encurralado. Como nas velhas histórias de faroeste, quem der o primeiro tiro, acaba com o oponente.
Infelizmente, a vida não é um jogo, um tiro certeiro: Bin Laden (supostamente ele, muitos dizem que não) cai sem vida, para o delírio dos norte-americanos.
Mas, como em todo e qualquer jogo que se preze, não é tão fácil assim aniquilar o chefão. Tem vezes em que ele volta das trevas, às vezes sobem os créditos (ou seja, o jogo acabou) e noutras, surge, uma nova fase, obviamente, bem mais difícil e com um chefão praticamente imbatível.
Comemore Tio Sam, talvez tenha zerado o jogo, mas se eu fosse você, não deixaria a Estátua da Liberdade sozinha...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O colar dos Hudikawa

Gosto de escrever, segue um conto do ano passado de minha autoria. Espero que gostem.O colar dos Hudikawa

Meu interesse por objetos da cultura africana vinha de algumas décadas, lembro-me como se fosse ontem da primeira vez em que visitei aquele fantástico e, ao mesmo tempo, enigmático continente.
Com vinte e poucos anos, fui atrás de diamantes, mas, como não os encontrava, comecei a me interessar cada vez mais pela cultura local. Em longas conversas, descobri que aquele pedaço do país pertenceu por muito tempo a uma tribo de guerreiros chamados Hudikawa.
Tal nome significava "rostos da morte", referência às famosas máscaras usadas por eles em execuções de inimigos e estrangeiros.
Mas, o mais surpreendente era o fato de que eles avisavam a vítima de que a morte estava próxima. Um colar de pedras negras como a noite era o sinal. Sempre sonhei em ter um desses em minha imensa coleção de artefatos africanos, comprado, é lógico.
O tempo passou bem rápido e agora estou com quase sessenta anos, possuo uma galeria imensa com cinco mil objetos de origem africana que geram um lucro grandioso para se viver confortavelmente na cidade de Nova Iorque.
Certa tarde, um pequeno pacote chegou à minha casa, o remetente era de Accra, cidade dentro do território dos Hudikawa, se não me falha a memória, talvez fosse enviada por um velho amigo daquela região.
Deixei de lado, pois estava atualizando os dados de alguns objetos para que os visitantes tivessem amplas informações também pela Internet. O site da galeria possui o conteúdo em cinco idiomas, incluindo um dialeto africano, seria importante para que pessoas do mundo inteiro conhecessem meu trabalho de décadas.
À noite resolvi abrir o pacote, muito bem embrulhado, por sinal. Por um momento, fiquei sem palavras, poderia dizer que minha coleção havia se completado naquele momento. Observava aquele colar em silêncio, as pedras negras e redondas eram de uma perfeição incrível, frutos do árduo trabalho das mulheres daquela tribo.
Procurei feito louco por uma nota fiscal, um recibo ou um boleto, nada. Talvez não deveria me preocupar muito, algum amigo deveria ter comprado com algum mercador ou em alguma feira local e gentilmente me presenteado.
Resolvi catalogar aquele colar também, para isso, além de descrevê-lo, apresentei detalhes sobre o ritual no qual ele estava inserido. Certa vez, um chefe da tribo me disse, espero que consiga recordar bem as palavras daquele senhor negro e magro com um olhar meio sombrio:
"Os deuses nos falam sobre aqueles estrangeiros que invadiram nossas terras, desrespeitaram nossos ancestrais, levaram nossa gente e nossas coisas para muito longe, sem ao menos pedir permissão aos senhores dessa terra e também do outro mundo. Quem não respeita os deuses, deve morrer.
Então, fazemos o colar para avisar o estrangeiro sobre os riscos. Se ele devolver o que nos tirou, os deuses salvam seu espírito. Caso contrário, o carregam para a escuridão."
Dei um sorrriso, essas lendas hoje não tem sentido algum e, mesmo se fossem verdade, um guerreiro não viria de avião para Nova Iorque a fim de matar alguém.
Me deitei pensando em que lugar da galeria colocaria o colar dos Hudikawa. Ou esperaria para conseguir um "rosto da morte": marrom com uma cruz e quatro círculos brancos? É verdade, minha coleção ainda não estava completa, faltava a máscara.
Um vento frio me acordou no meio da madrugada, uma luz tênue estava projetada na parede. Conseguia distinguir a figura de um homem negro usando uma máscara com o desenho de uma cruz e quatro círculos.
Seria uma brincadeira de mau gosto?
Tarde demais. Já estava morto com um colar no pescoço.