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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Olhares

Essa o pessoal do Facebook gostou...

Olhares
Tem hora que você está meio distraído olhando para o vazio e alguém pode pensar que você esteja olhando para ela.
Tem hora que você está olhando para a multidão e cruza com o olhar de alguém no meio de tantos olhares. Só não dá para saber se a pessoa estava te olhando ou não.
Tem hora que você olha e não entende o olhar do outro, mesmo que ele se esforce ao máximo.
Tem hora que olha e tem medo de dar um passo corajoso, mesmo sabendo que o outro pode não estar vindo ao seu encontro pelo mesmo medo.
Tem hora que você fecha os olhos e não vê tudo o que queriam te dizer, como palavras em vão.
Tem hora que você olha para os céus procurando a solução dos problemas, mas ela pode estar em seu coração e até mesmo te olhando.
Tem hora que você está olhando e vê um vulto passar, espero que seja um anjo dizendo amém.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu Real x Eu Virtual

Engraçado, não sei se meu Eu Real conversaria com meu Eu Virtual...
Porém, um diálogo entre eles seria até interessante.

Real: Você não passa de um perfil.
Virtual: Desculpa, mas eu  tenho pelo menos 200 amigos a mais do que você.

Real: Mas fui eu quem aceitou todos eles.
Virtual: Alguns nem te conhecem, só me conhecem. Os únicos registros seus são uma foto nada a ver e um punhado de informações que todo mundo já está careca de saber.

Real: Não me aborreça, eu posso te deletar e eu sei muito bem como fazer isso...
Virtual: E acabar com sua vida social? Eu te informo sobre o mundo, sobre aqueles que você não vê todos os dias, sobre aqueles que você gostaria de ver todos os dias...

Real: Escapou por pouco. Porém, eu posso ouvir e tocar as pessoas. E agora o que você me diz, bonzão?
Virtual: Mas no seu mundo, você não é capaz de dizer tudo o que eu digo, tem medo dos outros, vive se escondendo. Cria coragem quando não conversa pessoalmente, pois é muito fácil sair da Internet ou desligar o computador.

Real: Eu sou real.
Virtual: Você me criou, só isso. #FATO
Real: Você é uma mera cópia distorcida daquilo que eu revelo e nem me conhece por completo.
Virtual: Eu sou o que você queria ser e tenta desesperadamente sustentar essa imagem. Não é?

Real: Vou te ignorar...
Virtual: Sei, você não seria capaz disso. Quer ver? Chegou notificação, aquela pessoa te mandou...
Real: Mandou o quê? Abre logo.
Virtual: Nada, só estava te testando...

Real: Grandes coisas e o que mais você sabe fazer?
Virtual: Não seja irônico. Faço sua atividade predileta, algo que você não tem a caarade pau de perguntar...
Real: Fala logo.
Virtual: Saber sobre o status de relacionamento e a vida das pessoas...
Real: Espertinho, mas isso faz sentido...

Virtual: Então? Vai me deletar?
Real: Não dessa vez, seu chantagista.
Virtual: Sou quase humano.
Real: Você está de zueira, né?! Você não passa de um amontoado de bytes ou sei lá do que você é feito...
Virtual: Grandes coisas, amontoado de moléculas...

Real: Não compartilho o seu pensamento, se é que você pensa...
Virtual: Não curti o que você disse, feriu meus sentimentos, se não parar, vou ter que te excluir da minha lista de amigos.

Real: Acredito que você me complementa, um não pode viver sem o outro.
Virtual: Deixa de viadagem...
Real: Eu só estava te testando.

Virtual: Mas se pararmos para pensar, onde está a verdade?
Real: Na realidade, no meu mundo. O seu é apenas uma ferramenta para fazer nossa vida um pouco melhor.

Virtual: E se o seu real for o virtual de algum outro ponto, algum outro mundo?
Real: Como?
Virtual: Nada não, só estava atualizando meu status.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pai, pobre existe?

Manhã de sábado, crianças assistindo televisão e, de repente, começa uma reportagem sobre a realidade de pobreza extrema na África, naturalmente, elas trocam de canal, desenho animado é bem melhor. 
Sexta à noite, esposa assistindo televisão e, de repente, começa uma reportagem sobre a fome que grande parte dos africanos passa, naturalmente, ela troca de canal, novela é bem melhor.
Domingo à tarde, marido assistindo televisão e, de repente, começa uma reportagem sobre os principais jogadores de futebol da África, naturalmente, ele assiste, futebol é futebol.
Geralmente, as pessoas ignoram completamente a existência do pobre e quando, por ventura, se deparam com o mesmo, trocam de canal, afinal, tem coisas muito mais interessantes para serem feitas e "o pobre sempre existirá, inevitavelmente".
Colocar a culpa no sistema é uma desculpa esfarrapada, mas que tem certa lógica: uns poucos acumulam capital e a maioria esmagadora corre atrás de uma mísera parte desse dinheiro. Interessante, porém, certas pessoas nem oportunidade de correr tem. Culpa do sistema? "A sociedade sempre foi e sempre será assim."
Concordo com o fato de que aqueles que se esforçaram para ter um lugar à sombra (ao sol, é meio desconfortável...), merecem ter o tanto que tem. Mas e os que não tem? É porque não merecem?
Vivemos em uma sociedade extremamente consumista, na qual ter é bem mais importante do que ser, ou seja, tenho, logo, existo. Dessa maneira, na visão da parte rica da população, pobre não existe e, se existe, não faz a diferença. E quando esses mundos antagônicos se encontram, geralmente, é de forma violenta: roubos e por aí vai. Quem está errado: quem rouba para comer ou quem aceita passivamente o comportamento da sociedade?
Como diriam alguns: o pobre existe e está entre nós e cabe a nós ajudá-los.
Se você levou 5 minutos para ler esse texto, nesse tempo morreram 100 crianças de fome...
E você? Vai trocar de canal?

terça-feira, 3 de maio de 2011

O correto é o meu certo

Quem nunca ouviu a velha máxima de que tudo depende de um referencial?
 Certamente, muitos se lembrarão das aulas de Cinemática, uma vez que para dizer se algo está em movimento, tem-se, primeiramente, que se observar o referencial. Simples, se dois carros (ou qualquer outra coisa que possa se mover, mas eu prefiro carros) estão a 200 quilômetros por hora, os dois estão parados. Não é ideia de maluco não, se tomarmos um dos veículos como referencial para o outro, a afirmativa estará corretíssima. Poderia ir bem mais longe e tratar da Teoria da Relatividade, porém, a Física não é o propósito desse texto.
Pois bem, o referencial não é aplicável apenas a coisas, mas também a conceitos fundamentais da sociedade, por exemplo, o bem e o mal.
Geralmente, reconhecemos como bom aquilo que vai de acordo com as nossas crenças e o perfil da sociedade na qual estamos inseridos e como mau, o que diverge dos preceitos moralmente aceitos pela mesma. Talvez pelo desejo de se firmar pessoalmente e de se inserirem com segurança na sociedade, as pessoas se unam a grupos de diversos tipos e com inúmeros ideais. Porém, o mais preocupante disso tudo é o fato de enxergar os outros grupos como ameaças e não aceitá-los.
Exemplos inundam os noticiários e o dia-a-dia: meu time é o certo e o seu é o errado, meu jeito de ser é certo e o seu errado, minha religião é certa e a sua errada, meu Deus (ou deuses) é o certo e o seu errado, meu país é o certo e o seu errado e por aí vai. Consequências dessas simples escolhas vão desde brigas de trânsito até guerras nucleares. Poderia escrever um denso artigo sobre cada uma delas e ainda teria assunto para um livro...
O outro passa a ser uma ameaça constante e a decisão mais primitiva e irracional de todas é tomada. Desde os tempos remotos, é de preocupação do homem, a defesa de seu território e propriedade, mas, também era interessante ao mesmo demonstrar seu poder por meio da dominação de outros territórios e, se necessário, o extermínio dos nativos. Logo, apenas se extremamente necessário, deve-se acabar com todo e qualquer tipo de mal, se o outro é mau e incomoda a minha sociedade...
O problema disso tudo reside no fato de que para o outro: todos somos outros e, por definição, somos maus, apesar de nos acharmos muito bons.
 Então, essa história nunca terá um fim, a não ser que saiamos de todo e qualquer tipo de sociedade e analisemos calmamente o conceito de bem e mal. Porém, não estou com vontade de descobrir que, dependendo do referencial, estou parado no meu preconceito junto com minha bondosa (ou não) sociedade.